Em 2005, a dívida externa dos 18 países mais pobres do mundo às instituições financeiras multilaterais foi cancelada. No entanto, muitos países pobres continuam sem ver a sua dívida perdoada. Para além de expandir a dimensão do perdão da dívida, os países ricos têm que cumprir a sua promessa de parar a contabilização do cancelamento da dívida como ajuda pública para o desenvolvimento (APD): trata-se duma prática que faz decrescer os fundos disponíveis para lutar contra a pobreza.
A APD deve ser uma assistência temporária para que os países pobres se desenvolvam e se empoderem. Para ajudar a alcançar os ODM, a ajuda global terá que crescer cerca de 143,3 mil milhões de euros até 2015 – um crescimento significativo dos 50 mil milhões de 2003. Em 1970, foi estabelecido um objectivo internacional destinado a conceder 0.7% do rendimento nacional bruto à APD. No entanto, apenas alguns países atingiram, ou mesmo ultrapassaram, esse objectivo.
As Nações Unidas estimam que, anualmente, regras de comércio injustas negam aos países pobres cerca de 515 mil milhões de euros. Os produtos alimentares subsidiados nos países ricos são produzidos em excesso e depois comercializados nos países pobres a preços muito baixos, afectando negativamente os produtores locais. O acesso dos países pobres aos mercados mundiais é também limitado por barreiras comerciais – como impostos sobre produtos importados (taxas aduaneiras) e limites sobre o valor do produto que pode ser importado (quotas).